ObjETHOS discute crítica de mídia, ética e direito à defesa

10/10/2016 22:38

Crítica de mídia, ética na cobertura jornalística e o direito à defesa foram os temas de destaque do evento que celebrou os sete anos do ObjETHOS, grupo de estudos formado por pesquisadores em jornalismo, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenado pelo professor Rogério Christofoletti. O evento, realizado com apoio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), reuniu estudantes e profissionais da área. “Apesar do aniversário, não foi um evento auto-celebrativo. Viemos para discutir crítica de mídia”, destacou o professor. A proposta foi debater temas centrais para o grupo, que atua como um observatório de mídia, com atenção à ética jornalística.

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O professor Samuel Lima, pesquisador do ObjETHOS, fez um balanço da atuação do grupo

Na mesa de abertura, a professora Gislene da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PósJor), trouxe dados da recém-concluída pesquisa de pós-doutorado, na Universidade de Complutense (Madrid). Ela selecionou mais de 700 artigos para, após uma filtragem, analisar 21 que criticavam a cobertura jornalística. Seu interesse foi identificar de que forma a crítica se apresentava. “Os objetivos e as hipóteses nem sempre são críticos. A criticidade se dá nas escolhas dos temas”, pontuou. A professora, que também vai analisar revistas acadêmicas no Brasil, está interessada em debater a crítica de mídia “como um campo de investigações e um modo de ensinar o jornalismo”.

O professor Carlos Camponez, da Universidade de Coimbra, levou dados sobre regulação e deontologia do jornalismo em Portugal. Ele lembrou que os jornalistas portugueses se preparam para a realização do congresso nacional, cuja última edição ocorreu em 1997, e que estas devem ser questões centrais para o debate. Segundo ele, a desregulamentação e as privatizações dos últimos anos impactaram nas discussões sobre crítica e ética dos meios. “Os jornalistas estão a perder o controle dos seus mecanismos de auto-regulação”, pontuou.

O professor Samuel Lima, pesquisador do ObjETHOS, fez um balanço da atuação do grupo, com um resgate da origem e trajetória do observatório. Além disso, lembrou que o jornalismo atua na produção do conhecimento, mas que erros e deslizes éticos levam à “insegurança informativa”. O professor destacou a importância de se fazer crítica de mídia, considerando um cenário em que apenas dois jornais brasileiros utilizam o recurso do ombudsman. “O poder midiático é o único sem contra-poder”, disse, lembrando um texto de Ignácio Ramonet.

 

Direito à defesa

A Abraji e o Instituto de Defesa do Direito à Defesa (IDDD) também participaram do evento, com discussões sobre ética na cobertura jornalística e sobre questões que relacionam o jornalismo à justiça. O advogado Rodrigo Dall’Acqua (IDDD) apontou os conflitos que podem surgir dessa relação, cujos interesses são distintos, mas assegurou que um é importante para o funcionamento do outro. Ao usar como exemplo coberturas consagradas, como a do Mensalão e da operação Lavo-Jato, mostrou como a imprensa pode atuar de forma a não prejudicar o direito à defesa, informar com base no interesse público e não influenciar nos júris. Ele também reforçou que os jornais têm um importante papel de fiscalização a cumprir. “É preciso ter coragem para denunciar o judiciário”, comentou.

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Marcelo Träsel, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e representante da Abraji, falou sobre a importância do jornalismo investigativo nesse cenário

Marcelo Träsel, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e representante da Abraji, falou sobre a importância do jornalismo investigativo nesse cenário, mas o distinguiu do “jornalismo sobre investigações”, que costuma incorrer em falhas éticas. “Os jornalistas estão sempre no fio da navalha quando cobrem grandes casos e crimes. Há bons trabalhos, mas também muitos abusos”, disse. Para ele, as soluções podem ser compartilhadas. “Se um promotor divulga um nome, por exemplo, os jornalistas podem escolher não divulgá-lo”, disse, ao advertir que a presunção da inocência também está no Código de Ética dos jornalistas brasileiros.

O advogado Renato Boabaid, representante da Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de Santa Catarina (AACRIMESC) e do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), encerrou o debate afirmando que “acontecimentos midiáticos podem mostrar desrespeito ao processo legal e ao contraditório”. Ele construiu sua argumentação para destacar a importância de os jornalistas serem críticos, mas sem comprometer o direito à defesa, fundamental em qualquer processo. “A ação sensacionalista da imprensa pode, em alguns casos, influenciar juris populares”, advertiu.

POSJOR representado no Congresso da ALAIC, no México

09/10/2016 16:36

IMG_2423A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC, professora Raquel Longhi, participa do 13º Congresso da ALAIC – Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación. O evento se realiza na Cidade do México, de 5 a 7 de outubro, com o tema “Sociedad del conocimiento y comunicación: reflexiones críticas desde América Latina”. Raquel apresenta o trabalho “Do Panorama à Realidade Virtual: como o Ciberjornalismo está criando narrativas imersivas”, escrito em parceria com seu orientando de doutorado Sílvio da Costa Pereira, no Grupo Temático Estudios de Periodismo. Na foto, Raquel e participantes do GT na sessão desta quinta-feira, dia 6.

 

Especialistas debatem cobertura jornalística e direito de defesa em evento na UFSC

07/10/2016 10:50

Cobertura jornalística e direito de defesa, erros jornalísticos, importância e novos desafios da profissão são alguns dos temas do seminário que o Observatório da Ética Jornalística promove hoje, 7 de outubro, no Auditório da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis.

Como parte da comemoração dos seus sete anos de existência, o objETHOS convidou especialistas para duas sessões temáticas. A primeira, “Crítica de Mídia: balanços, métodos e desafios”, com início às 9 horas, terá a participação dos professores doutores Carlos Camponez (Universidade de Coimbra, Portugal), Samuel Lima (objETHOS) e Gislene Silva (Grupo de Pesquisa Críticas de Mídias e Práticas Culturais, USP/UFSC).

A segunda sessão (“Olhar crítico: a cobertura jornalística e o direito de defesa no Brasil”), que começa às 14 horas, é uma parceria com Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI). Com a mediação do professor Rogério Christofoletti, os advogados criminais Rodrigo Dall’Acqua e Renato Boabaid, que representam o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), debatem com o jornalista Marcelo Träsel, da diretoria da ABRAJI.  A ideia é promover uma reflexão sobre a temática a partir do olhar crítico de quem atua na área, de profissionais do jornalismo e de pesquisadores e observadores de mídia.

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Sobre o objETHOS

O projeto Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) é uma realização do Departamento de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (Posjor) da Universidade Federal de Santa Catarina e tem por objetivo acompanhar e monitorar a ética praticada por jornalistas e meios de informação, desenvolvendo investigações para teses, dissertações e estudos específicos sobre ética jornalística, crítica de mídia, identidade profissional, tecnologias associadas ao jornalismo, novos modelos de negócio e de produção jornalística, mídia independente, e novas configurações do ecossistema informativo. Com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da UFSC, da Capes e do CNPq, o objETHOS disponibiliza em seu site estudos sobre condutas e valores no jornalismo, com ênfase nas reflexões sobre ética profissional e deontologia, além de resenhas de filmes, papers e relatos de pesquisa, e-books, vídeos, entrevistas, códigos de ética e outros materiais.

Sobre os participantes do evento

Gislene Silva

Professora do Programa de Pós-Graduação e do Departamento em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutora em Ciências Sociais/Antropologia pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP). Autora do livro O sonho da casa no campo: jornalismo e imaginário de leitores urbanos (Ed. Insular). Líder do Grupo de Pesquisa Crítica de Mídia e Práticas Culturais. Bolsista de produtividade do CNPq. Acaba de retornar da Espanha, onde fez seu pós-doutorado sobre crítica de mídia na Universidad Complutense de Madrid.

Samuel Lima

Jornalista e doutor em Mídia e Teoria do Conhecimento (UFSC). Foi professor da Universidade de Brasília (UnB) de 2009 a 2016. É professor de jornalismo na UFSC. Um dos coordenadores do “Perfil profissional do jornalismo brasileiro”, integra o projeto “Journalistic Role Performance Around the Globe – Etapa Brasil” e a pesquisa “Governança Social, Produção e Sustentabilidade para um jornalismo de novo tipo”. Pesquisador do Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO/UFSC) e do objETHOS. Autor e co-organizador de vários livros, entre eles Perfil do Jornalista Brasileiro (2013). Em 2016, lançou Jornalismo, Crítica e Ética, organizado com Francisco José Castilhos Karam.

Carlos Camponez

Professor auxiliar da Faculdade de Letras e diretor do 1º Ciclo em Jornalismo e Comunicação da Universidade de Coimbra (Portugal). É coordenador do grupo de pesquisa Comunicação, Jornalismo e Espaço Público do Centro de Estudos Interdisciplinares do Séc. XX (Ceis20). É pesquisador de ética profissional e autor de Deontologia do Jornalismo – A autorregulação frustrada dos jornalistas portugueses, entre outros livros.

Marcelo Träsel 

Jornalista, mestre em Comunicação e Informação (UFRGS) e doutor em Comunicação Social (PUCRS). Atua como professor adjunto no departamento de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Integra a diretoria da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) desde 2014.

Rodrigo Dall’Acqua

Advogado criminal. Formado em 1999 pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), tem especialização em Direito Penal Econômico, Internacional e Europeu pelo Instituto de Direito Penal Económico e Europeu da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Direito Ambiental pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). É diretor do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) e membro da Comissão de Estudos da Concorrência e Regulação Econômica da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de São Paulo, do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim), do Comitê Jurídico da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e do Instituto Brasileiro de Estudos de Concorrência, Consumo e Comércio Internacional (IBRAC).

Renato Boabaid Advogado criminal. Graduado pela Universidade do Vale do Itajaí – Campus Biguaçu/SC, 2002-1. Formado pela Escola Superior da Magistratura de Estado de Santa Catarina – ESMESC – 2002/2003. Atual VICE-PRESIDENTE da AACRIMESC – Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de Santa Catarina, na gestão 2014 a 2017. Sócio do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM – desde 2009, nomeado em fevereiro de 2013, como Coordenador Estadual do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM – para o Estado de Santa Catarina, 17ª COODENADORIA ESTADUAL. Membro efetivo da Comissão de Assuntos Prisionais da Capital da Ordem dos Advogados de Santa Catarina, desde 2010.

EDITAL 04/PDSE/POSJOR/2016 RESULTADO FINAL Seleção Interna do POSJOR de candidatura ao Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior – PDSE/CAPES

25/09/2016 18:49

A Comissão de Seleção de candidatura ao Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior – PDSE/CAPES, designada pela Portaria 20/POSJOR/2016, em consonância com os Editais 01/PDSE/POSJOR/2016, 02/PDSE/POSJOR/2016 – Retificação e 03/PDSE/POSJOR/2016, o Edital Nº 19/16 do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior/ PDSE/CAPES http://www.capes.gov.br/images/stories/download/editais/12072016-edital-n-19-PDSE.pdfe o Edital de Retificação do Edital Nº 19/16 do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior/ PDSE/CAPES http://www.capes.gov.br/images/stories/download/editais/25072016-alteracao-edital-19-2016-PDSE.pdf, cumprido o prazo para eventuais pedidos de revisão de avaliação e nenhum tendo sido apresentado, no uso de suas atribuições, comunica, pelo presente edital, o RESULTADO FINAL da SELEÇÃO INTERNA do POSJOR de candidatura aoPrograma de Doutorado Sanduíche no Exterior – PDSE/CAPES.

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EDITAL 03/PDSE/POSJOR/2016 RESULTADO Seleção Interna do POSJOR de candidatura ao  Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior – PDSE/CAPES

21/09/2016 22:04

A Comissão de Seleção de candidatura ao Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior – PDSE/CAPES, designada pela Portaria 20/POSJOR/2016, em consonância com o Edital 01/PDSE/POSJOR/2016, o Edital 02/PDSE/POSJOR/2016 – Retificação, o Edital Nº 19/16 do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior/ PDSE/CAPES http://www.capes.gov.br/images/stories/download/editais/12072016-edital- n- 19-PDSE.pdf e o Edital de Retificação do Edital Nº 19/16 do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior/ PDSE/CAPES http://www.capes.gov.br/images/stories/download/editais/25072016-alteracao-edital- 19-2016- PDSE.pdf, no uso de suas atribuições, informa, pelopresente edital, o resultado da Seleção Interna do POSJOR de candidatura ao Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior – PDSE/CAPES.

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